terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Terapia x Gravidez




Quando descobri a gravidez, vivia um momento de muitos questionamentos internos de muitas mudanças significativas na minha vida e também tinha pouco tempo que tinha mudado de estado, estou longe da minha família do coração e amigos que deixei em Salvador. Eu sempre soube que queria ser mãe e sabia que assumir esse papel na minha vida tinha um peso alto, e por conta destes questionamentos internos resolvi fazer terapia, eu queria fazer em Salvador,entretanto, com a mudança iminente deixei para começar em São Paulo onde moro atualmente. No começo me questionava de alguns valores e traço do que sou hoje e porque tantas coisas me incomodavam tanto, sabia que precisava mudar alguns comportamentos e ser mais tranqüilas com resoluções internas e não sofrer por feito tal escolha na vida. Inclusive a terapia me ajudou muito a resolver se estava pronta ou não para ser mãe.  Até que um dia acordei e disse quero ser mãe ainda esse ano ou planejar a gravidez para que o pequeno nascesse em breve, alem da pressão familiar para que isso acontecesse, pois eu e Joel estamos juntos há 12 anos (9 de namoro e 3 de casamento). Para todos já tinha passado da hora do pequeno vir, mas para mim estava no momento certo. 
Conversei com Joel sobre o assunto, por ele já teríamos uns 2 ou 3 filhos nesse meio tempo, mas como as coisas tem que ser minimamente planejada e os dois dispostos ao desafio, pois essa não é uma brincadeira que se brinca só ou pelo menos essa não era minha vontade, porque não tenho esse culhão todo. Cumpri todos tramites para engravidar (leia-se tirar o DIU, exames para saber se tudo tava em ordem, e deixar rolar). Eu fazia um serviço temporário e não sabia qual seria a minha perspectiva de trabalho, faltando 10 dias para terminar o serviço, descobri que estava grávida e que meu presentinho de Deus chegaria em breve. Foi um misto de euforia e um certo receio de como seria a Maní-mãe. Como não tinha como trabalhar por conta da gravidez, voltei para terapia(durante o serviço não tinha como ir nas sessões), foi maravilhoso pois nesse primeiro momento costurei junto com a terapeuta um processo de alto conhecimento e todos meus anseios de como seria Maní-mãe, e só parei a terapia às vésperas de Pedro nascer, porque Joel não queria que andasse para cima e para baixo de barrigão e também  porque já estava bem cansada com todo peso, mas isto era o que menos importava porque Terapia é vida, para mim.
Eu planejei voltar 2 meses logo depois que pequeno nasceu,não consegui por uma questão de acerto de horários com a terapeuta e de fato voltei em junho com uma logística organizada e de maneira que fosse bom para todos. Antes de voltar tive uma sessão com terapeuta para conversar sobre o parto tudo que aconteceu, pois, mais do que nunca precisava daquele espaço para organizar a cabeça e tudo que aconteceu. Já embaladas nas sessões semanais, fui me redescobrindo e que não devia me sentir mais alheia ao mundo, porque quando nasce uma mãe, nasce também um monte de sentimentos que desconhecia e coisas que sentia mas não sabia nomear. Aos poucos fui nomeando as coisas, ainda falta bastante coisa, mas, faz parte do meu processo, um dia de cada vez, aprendi a ter paciência comigo mesmo e perceber as coisas com mais rapidez.
Eu sou outra pessoa depois quase 2 anos de terapia, mais tranqüila e serena com as coisas que aconteceram ainda não superei tudo mas conseguirei. E todos que me perguntam porque fazer terapia se eu não sou doida ou tenho problemas mentais eu simplesmente respondo que a terapia é um processo de auto conhecimento maravilhoso e quem passa por ele sabe o quanto é valoroso o que se constrói no consultório. É importante que “o santo bata” com o terapeuta. Hoje escrevo este texto do hospital onde Pedro está internado com uma infecção respiratória e quando fui avisando as pessoas importantes todas ficaram aflitas por conta da situação e ao contrario do que deveria acontecer eu que fui acalmando as pessoas dizendo que estávamos bem e bem cuidados com todo necessário. Se fosse a Maní de antes estaria desesperada achando que o pior poderia acontecer e não estou serena, pois, Pedro está quase curado e em breve sairemos do hospital. E toda essa tranqüilidade foi a terapia que me deu!!
 Terapia é uma higiene mental  necessária para sobreviver nesse mundo cão!!  


PS: Tivemos alta no dia seguinte

Nenhum comentário:

Postar um comentário