Quando
descobri a gravidez, vivia um momento de muitos questionamentos internos de
muitas mudanças significativas na minha vida e também tinha pouco tempo que
tinha mudado de estado, estou longe da minha família do coração e amigos que
deixei em Salvador. Eu sempre soube que queria ser mãe e sabia que assumir esse
papel na minha vida tinha um peso alto, e por conta destes questionamentos
internos resolvi fazer terapia, eu queria fazer em Salvador,entretanto, com a
mudança iminente deixei para começar em São Paulo onde moro atualmente. No
começo me questionava de alguns valores e traço do que sou hoje e porque tantas
coisas me incomodavam tanto, sabia que precisava mudar alguns comportamentos e
ser mais tranqüilas com resoluções internas e não sofrer por feito tal escolha
na vida. Inclusive a terapia me ajudou muito a resolver se estava pronta ou não
para ser mãe. Até que um dia acordei e
disse quero ser mãe ainda esse ano ou planejar a gravidez para que o pequeno
nascesse em breve, alem da pressão familiar para que isso acontecesse, pois eu
e Joel estamos juntos há 12 anos (9 de namoro e 3 de casamento). Para todos já
tinha passado da hora do pequeno vir, mas para mim estava no momento
certo.
Conversei
com Joel sobre o assunto, por ele já teríamos uns 2 ou 3 filhos nesse meio
tempo, mas como as coisas tem que ser minimamente planejada e os dois dispostos
ao desafio, pois essa não é uma brincadeira que se brinca só ou pelo menos essa
não era minha vontade, porque não tenho esse culhão todo. Cumpri todos tramites
para engravidar (leia-se tirar o DIU, exames para saber se tudo tava em ordem,
e deixar rolar). Eu fazia um serviço temporário e não sabia qual seria a minha
perspectiva de trabalho, faltando 10 dias para terminar o serviço, descobri que
estava grávida e que meu presentinho de Deus chegaria em breve. Foi um misto de
euforia e um certo receio de como seria a Maní-mãe. Como não tinha como
trabalhar por conta da gravidez, voltei para terapia(durante o serviço não
tinha como ir nas sessões), foi maravilhoso pois nesse primeiro momento
costurei junto com a terapeuta um processo de alto conhecimento e todos meus
anseios de como seria Maní-mãe, e só parei a terapia às vésperas de Pedro
nascer, porque Joel não queria que andasse para cima e para baixo de barrigão e
também porque já estava bem cansada com
todo peso, mas isto era o que menos importava porque Terapia é vida, para mim.
Eu
planejei voltar 2 meses logo depois que pequeno nasceu,não consegui por uma
questão de acerto de horários com a terapeuta e de fato voltei em junho com uma
logística organizada e de maneira que fosse bom para todos. Antes de voltar
tive uma sessão com terapeuta para conversar sobre o parto tudo que aconteceu,
pois, mais do que nunca precisava daquele espaço para organizar a cabeça e tudo
que aconteceu. Já embaladas nas sessões semanais, fui me redescobrindo e que
não devia me sentir mais alheia ao mundo, porque quando nasce uma mãe, nasce
também um monte de sentimentos que desconhecia e coisas que sentia mas não
sabia nomear. Aos poucos fui nomeando as coisas, ainda falta bastante coisa,
mas, faz parte do meu processo, um dia de cada vez, aprendi a ter paciência
comigo mesmo e perceber as coisas com mais rapidez.
Eu
sou outra pessoa depois quase 2 anos de terapia, mais tranqüila e serena com as
coisas que aconteceram ainda não superei tudo mas conseguirei. E todos que me
perguntam porque fazer terapia se eu não sou doida ou tenho problemas mentais
eu simplesmente respondo que a terapia é um processo de auto conhecimento
maravilhoso e quem passa por ele sabe o quanto é valoroso o que se constrói no
consultório. É importante que “o santo bata” com o terapeuta. Hoje escrevo este
texto do hospital onde Pedro está internado com uma infecção respiratória e
quando fui avisando as pessoas importantes todas ficaram aflitas por conta da
situação e ao contrario do que deveria acontecer eu que fui acalmando as
pessoas dizendo que estávamos bem e bem cuidados com todo necessário. Se fosse
a Maní de antes estaria desesperada achando que o pior poderia acontecer e não
estou serena, pois, Pedro está quase curado e em breve sairemos do hospital. E
toda essa tranqüilidade foi a terapia que me deu!!
Terapia é uma higiene mental necessária para sobreviver nesse mundo cão!!
PS: Tivemos alta no dia seguinte

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