domingo, 29 de outubro de 2017

Escrever, te amo !!


Ahhh escrever, nunca imaginei que gostaria tanto disso. Lembro que na adolescência era algo sofrido para mim, fazer redação para vestibular?! Era meu maior medo de me ferrar e nunca conseguir passar na tal prova da UFBA- universidade cuja qual me formei em Biblioteconomia e Documentação, meu maior orgulho, um dos vestibulares mais difíceis. Estudei com os melhores professores de redação em Salvador e sempre me sentia de mediana para péssima. Imaginar que teria um blog era algo muito distante, e hoje estou aqui contando para vocês como foi esse meu aprendizado. E desde então me apaixonei por esse habito, gostaria de conseguir escrever mais e mais, na reta final da gravidez no meio da minha angustia/ansiedade da espera de Pedro resolver nascer, escrevi uma carta para meu pequeno contando como foi a nossa aventura até chegarmos áquele dia. Foi libertador!! Ali percebi o quanto gostava disto.
Lembro que na faculdade, me virava para fazer os trabalhos e quando chegou na época do TCC (trabalho de conclusão de curso), eu surtei porque não sabia como fazer aquilo, mas minha orientadora me ajudou muito. Meu TCC foi escrito a quatro mãos e quanto sou grata a ela por isso, porque não queria orientar ninguém,  eu insisti (percebeu meu desespero do momento porque a outra professora que poderia me orientar, recusou ) e ela me aceitou como única orientanda dela naquele semestre. Na época repensei muito a questão de fazer uma pós graduação pelo medo de escrever. Passei por dias terríveis de sofrimento e angustia por achar que não daria conta. Ate que um dia, resolvi que precisava resolver essa minha questão. Como ponto de partida, deliberei que leria muito para formar o meu eu escritor. Não queria que fosse um sofrimento, foi uma diversão passar por esse processo. Sempre fui a rainha dos textões de amor no facebook(leia-se datas comemorativas), mas para escrever sobre algo diferente travava tudo. No ensino médio cheguei a escrever poesias, mas não vingou depois disso. E até hoje existem textos que não gosto muito depois escrever,  releio, reescrevo o que não gosto.
Meu marido diz que escrevo muito bem, mas eu tenho minhas duvidas, hahahaha. A inspiração vem como um rompante  ou vai nascendo aos poucos o texto e vou guardando na memória até que um dia consigo colocar em palavras. Geralmente, eu gosto de ouvir musica enquanto escrevo, agora escuto o CD Novena de Djavan pelo youtube. Eu consigo me concentrar melhor ao escutar musicas, estranho né?!  Mas para mim super funciona, é como se o mundo ao meu redor não existisse e a concentração é muito melhor. Aliás, eu amo ouvir musica para fazer qualquer coisa, fico imaginando como deve ser a rotina dos escritores de novela e quão deve ser insano escrever quase que um livro de duzentas paginas por dia. Alem disso, todo o processo criativo para que tudo tome forma. Quando era pequena dizia que queria ser pensadora e mal  sabia eu o quanto é difícil chegar a esse patamar, eu almejo  ser pesquisadora dentro da universidade onde tiver dando aula e gerar conhecimento, por enquanto estou no estagio inicial gerando conteúdo para vocês. É uma alegria, gostaria muito de escrever todos os dias e o blog ter aventuras todos os dias, mas para isso preciso me organizar e compreender melhor esse novo mundo chamado – Maternidade. Apesar de um ano e sete meses ou se considerar o tempo da gravidez, perfazendo quase dois anos, sei muito pouco.
Eu não sei se já contei para vocês, mas esse blog nasceu  como remédio para minha Depressão pós parto. E hoje as vésperas de completar o seu primeiro ano de vida, ainda me questiono sobre o que é essa tal  maternidade, acho que só entenderei quando Pedro tiver uns 50 anos, hahahaha!!
É um processo muito louco, mas aos trancos e barrancos vamos aprendendo e amando todos os dias essa aventura.
Escrever é libertador!!
É vida que se renova, quando algo parece efêmero!!
É algo que não se explica, apenas aprende-se a amar.
Espero escrever muito para vocês e quem sabe escrever um livro, um desejo, mas como não é controlado por mim, apenas semeio para quem sabe lá na frente esse fruto possa florescer.



  

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Para meu anjo da guarda - Mari, tia Doula





O  meu parto foi muito mais feliz porque eu tive um anjo da guarda chamado Mari, ou tia Doula. Quando planejei o meu parto, queria muito uma doula, mas financeiramente não era viável, era um custo que não podíamos assumir por conta das outras despesas do parto em si. Ate que a minha obestetriz (já estava com quase 36 semanas de gestação), me perguntou se eu queria uma doula voluntária que estava começando a trabalhar na área. Então, disse que topava pelo menos uma primeira conversa para  conhece-la e se rolasse a empatia cuidaria de mim no momento mais sublime da minha vida.
Nos  encontramos numa lanchonete perto da sua casa e conversamos por quase duas horas, e ali senti que era ela que  zelaria por mim. Nesse curto espaço de tempo até o parto conseguimos aprofundar bem a relação.
No dia do nascimento de Pedro (29/03/2016),  avisei logo para ela quando a bolsa rompeu e em seguida para minha médica Dra Ana,simplesmente Ana, fui ao seu consultório porque eu tinha uma consulta marcada neste dia e por insistência do meu anjo da guarda. Ainda na sala de pré parto, conversei bastante com Mari por mensagem, pois não sabíamos quanto tempo poderia durar o parto e ela precisava estar descansada para estar bem cuidar de mim.  Nessa, quase ela não chega a tempo porque meu trabalho de parto evolui muito rápido. E quando estava já na sala de parto mesmo, e antes de ir para banqueta de parto ela chegou e me abraçou forte, e eu disse para que ela, agora Pedro pode nascer!! (eu não me lembro de ter dito isso, mas como ela existe, acredito!! ) foi tudo tão rápido, mas o que eu jamais esqueci foi o seu abraço apertado ao chegar, e hoje fico emocionada ao lembrar
 ( nem preciso dizer que ao escrever, estou quase chorando).

Mari, você cuidou de mim e de Joel com um amor e dedicação que eu nunca tinha visto na vida. Nunca imaginei que teria alguém com como você para cuidar de nós desse jeito. Um presente enorme que vida me deu, mesmo quando estava na UTI, você fugiu da sua aula para me ver, e isso não tem preço. Se pudesse, reviver a experiência do parto, não teria a duvida que você estaria comigo novamente. Por mais que te agradeça com palavras e amor retribuído, ainda é pouco por tudo que fizeste por nós. Eu não tive só uma doula para auxiliar no parto, eu tive um anjo da guarda  que agora é uma super amiga-irmã. Que me conhece de uma maneira, talvez, melhor que minhas irmãs.
Um ano e meio de amizade mais ou menos, e parece que tem mil anos que nos conhecemos. Acredite, tudo que eu puder e não puder farei por você.

Ao pensar em ter uma doula no parto, não imaginei a diferença que faria na minha vida antes, durante e depois porque o laço não tem como se desfazer. E hoje sei o quanto é importante uma companhia para atravessar o mar chamado parto, tudo é mais suave quando se tem uma doula por perto.
Meu amor e toda a minha gratidão por simplesmente existir na minha vida.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Sobre ter coragem






“ Você  pode pensar : ‘mas eu tenho medo’. Ora, todo mundo tem medo. Alguns têm medo da vida, outros de viver. Tome  cuidado com o medo que você alimenta porque ele pode aprisiona-lo, e esse é o pior cárcere que existe no mundo. É uma prisão sem celas, sem muros e sem guardas, de onde é difícil escapar porque é uma prisão interior, da qual só você pode a saída. A chave para essa libertação é a coragem. Mas a coragem não é ausência de medo. Ter coragem é ter consciência  do tamanho do desafio e estar disposto a caminhar nessa direção. Isso significa que você é capaz de superar essa limitação e com isso realizar o que dita sua consciência. O  sentimento é um sentimento em certa medida positivo, porque protege você de situações de risco. Mas o medo 
desmedido pode paralisar. Você precisa controlar o medo em vez de ser controlado por ele. ” (Cavalcante, p. 33-34, grifo nosso)


Quando eu li  o trecho acima, mexeu bastante comigo, e me fez refletir sobre o ultimo ano e meio e como tudo aconteceu. Foi um aprendizado enorme, eu sempre disse que não tinha medo do parto e tudo que pudesse acontecer depois, e isso foi minha mola propulsora de vida para seguir em frente. E me dei conta do quando eu sou corajosa e não sabia disso, detesto auto elogio mas nesse momento estou precisando dizer para mim mesma para que eu seja mais forte do que eu sou, uma vez uma amiga me disse que por muito pouco do que eu passei, pessoas se entregaram de alguma forma, e eu aqui aprendi a resistir e me fortalecer ainda  mais com as adversidades que aparecem. De todas as porradas que tomei da vida ( prefiro chamar de pausa para pensar!!), nenhuma foi maior que do parto, entretanto com todas elas sempre tentei olhar de maneira positiva o que bom ela poderia trazer de aprendizado. O meu japinha da parede, Mokiti Okada (fundador da Igreja Messianica, jeito carinhoso que minha irmã se referiu a ele e eu adotei) dizia que quando a crise deixa de ser crise, quando ela abre o caminho para o progresso. E muitas vezes, me pautei nesta frase para conseguir seguir em frente e entender que precisava compreender o que a vida estava me mostrando. E o mais engraçado de tudo, é o titulo do livro do trecho supracitado é “ O que realmente importa?” e quando eu comprei esse livro no meu aniversario deste ano, comprei simplesmente  pelo titulo e sem nem olhar o seu conteúdo  e num momento de auto reflexão, alias esse ano todo foi de auto reflexão, e embora os compre os livros num momento, não necessariamente os leio imediatamente, ainda tenho livros que não os leio e já faz algum tempo. E, na medida em que sinto vontade, os leio, casando de alguma forma ou universo conspirando a favor para que chegue o que eu preciso saber. Eu não posso reclamar de maneira nenhuma da vida, porque tudo que precisei não me faltou, mesmo nos momentos mais difíceis quando mal tinha o que comer. A coragem e o amor generoso são minha marca no universo, quando minha segunda irmã passou pelo seu processo de purificação aos dezesseis anos de idade, e minha outra irmã engravidou aos dezessete, eu pressenti que algo muito grave aconteceria comigo, apenas um sentimento, ignorei veemente. Segui a vida  normalmente, mas esse sentimento sempre me incomodou de alguma forma lá no fundinho da alma. Achei que fosse perder meu bebe, logo depois de engravidar, mas depois passou os três primeiros meses eu sosseguei e segui. Ou pelo menos tentei, a gravidez transcorreu tranquilamente e no parto veio a grande surpresa. Hoje, olhando para trás o medo quase me fez sucumbir, mas a coragem foi maior me fez seguir. E meu pergunto o que realmente importa para mim hoje. E eu sigo com a resposta, acalmando meu coração.  Costumo dizer que depois do parto, tudo me parece fácil ou não tão parece  complicado como as pessoas pintam. A vida é linda e gostosa, outro dia vi, não lembro exatamente como era, mas a mensagem dizia que Acorde ou a cor de  vida e qual  cor que você quer dar para aquele dia. Bonito, né ?!


Então qual a cor do seu dia ?!   

Referencia do livro : 
CAVALCANTE, Anderson. O que realmente importa ? São Paulo: Buzz Editora, 2017 . 160p. 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Estou viva, porem cansada!!



Tantas coisas aconteceram nesses últimos dias, que nem consegui parar para escrever. A vida realmente é um presente. Primeira novidade muito boa a contar é que oficialmente estou curada da minha depressão pós parto, com direito a alta com louvor pela minha querida médica, Dra Cintia. Passaram quinze dias da nossa consulta !!

Pedro está ótimo, crescendo lindo e esperto, está aprendendo a se comunicar conosco.
É muito rico esse aprendizado.

De quarta feira para cá foi um verdadeiro caos, eu vinha num ritmo meio frenético, para me dar um freio a labirintite me atacou.  E como se algo me dissesse:
-  Peraeee você não precisa ir num ritmo tão acelerado, tudo acontecerá no momento certo!!
Eu me dei metas muito agressivas, de emagrecer 8kg em um mês, não consegui , foram 4 kg. caminhar todos os dias, consegui por quase duas semanas. Nas duas ultimas, com a labirintite atacada não sai de casa praticamente. Enfim, e no meio dessa crise, me senti um pouco abandonada,um sentimento horrível. E ai me lembrei do plantão psicológico acontece todas as segundas feiras lá na Lumos  (casa de acolhimento para os pais e mães antes, durante e depois do parto, idealizada pela Pedimusa de Pedro), acordei cedo e fui, como foi  bom ter ido, a Juliana (psicóloga) parece com Marcela (minha amada psicóloga), sutil e certeira nos seus comentários, e eu sai de lá leve. E mais do que tudo, o meu maior cansaço é não ter uma rede de apoio efetiva, hoje praticamente só eu e o pai para cuidarmos de Pedro. Isso acaba desgastando muito, o casamento, a vida. Acho que esse é ponto chave para que minha vida seja suave. Porque a maternidade é insana, e necessita ser graciosa.
O que eu aprendi com tudo isso?!

Devagar se vai longe, eu posso chegar a qualquer lugar basta querer.

Consegui essa semana, organizar minha rotina, separando tudo que precisa ser feito a cada dia e o que precisa ser feito diariamente para que a vida siga harmoniosamente. Afinal de contas, apesar de insana a maternidade precisa de um pouco de sanidade. E aos poucos vou voltarei a ter minha vida de volta, eu me sinto plena e vazia ao mesmo tempo. Eu escolhi a maternidade e como já disse em outros textos, não me arrependo e nenhum momento dela, e tenho certeza que ela e a minha não mãe de Pedro podem coexistir. E como disse Juliana, estou em processo de desfusionamento(separação emocional da mãe e do bebe) é necessário para mim que isso aconteça nesse momento. Eu não batalhei o tanto que eu batalhei para pendurar meu diploma na parede, eu quero muito lecionar em universidade, estou me preparando para tal . 

Prometo não abandonar vocês mais. Eu realmente precisava desse tempo de reflexão.


Estou viva e muito feliz com vários projetos em andamento.