
Outro
dia , fui novamente no powerperio (aqui e aqui) e confesso que estava divida entre ir para o
grupo ou assistir uma palestra. Mas meu coração pedia para ir ao grupo, fui.
Realmente precisava vivenciar aquela tarde de conversas. E um dos assuntos foi
o luto materno, e muito amplo o significado. Desde a perda do filho a outros
tipos de perda, seja não poder ter mais filhos gerados em seu próprio ventre
(meu caso) ou ter outros filhos não desejados, ou batalha para ter um segundo
ou terceiro filho. E brilhantemente a Nivia (mediadora do grupo, psicóloga) fez
esse comparativo. Uma das mães falou da sua dificuldade em aceitar a sua
segunda filha, já que não foi planejada e ela já tem um filho mais velho que
demanda bastante dela tanto de atenção e financeiramente. Num meio de um
vendaval de sua vida, onde estava começando um casamento, morando juntos e
adaptação do filho a essa nova configuração familiar, porque sempre foi ela e o
filho em casa. A outra mãe falou da sua dificuldade em ter o terceiro filho,
realização de um sonho, e nos contou que precisou recorrer a uma ajuda externa
para conseguir e que alguns momentos da gravidez do terceiro se perguntou o
porque daquela loucura,pois dar conta de um de cinco anos e outro de três anos
e ainda grávida era um verdadeiro caos, mas no fundo, senti, que estava
realizada. Quando comecei a namorar com Joel, começou a me dizer que queria ter
11 filhos, depois falou que queria ter 5 filhos, brincando falava que no máximo
2. E eu não posso mais ter filhos gerados e paridos por mim, isso ainda me dói
bastante. Tem horas que mais, tem horas que menos, entretanto ainda que
incomode e sei que vai doer por um bom tempo. O tempo é meu amigo e vai me
ajudar a superar mais essa dificuldade.
Como diria os Novos Baianos “Vou mostrando
como sou, E vou sendo como posso,Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos,E pela lei natural dos encontros, Eu deixo e recebo um tanto, E passo aos olhos nus, Ou vestidos de lunetas,Passado, presente”.
Assim vou vivendo,
sempre quis dizer vou pra casa porque preciso ver meus filhos, por enquanto ainda não posso. Quem sabe do futuro ?!
eu não estou morta, então tenho chances de realizar meu sonho. Muita coisa esta
para acontecer, talvez a minha Luiza venha de outro ventre para mim ou não.
Nada está descartado. Realmente precisava ir ao powerperio, escutar essas
estórias, me fizeram mais forte,para seguir em frente.
O que aprendi
com isso ?!
“Cada
um sabe a dor e a delicia de ser o que é”, como disse Caetano, brilhantemente!!
Estou
parafraseando bastante hoje, é eu sei,
porém, é a melhor maneira de traduzir para vocês o que sinto. A maternidade é
linda, transformadora e também dolorosa. Vale cada esforço para estar aqui, com
meu potinho de felicidade. Confesso que estava bem angustiada com esse
sentimento, mas escrever tira um peso enorme das costas. A vida não é ingrata
conosco, é justa. Só temos o que merecemos e tudo que nos foi tirado pela proteção
de Deus. Ainda não consegui compreender o porquê de passar por tudo que eu
passei. Eu vou entender no momento certo, por enquanto preciso viver esse meu
luto, que está mais brando. Usando a régua e o compasso que a vida me dá todos
os dias. Volto aos meus velhos mantras ‘
um dia de cada vez ’, ‘devagar e sempre’.
Tá
tudo certo ?! Acho que sim !!