A vida é muito doida mesmo, se alguém me dissesse em junho de 2019 que em janeiro de 2020 eu estaria morando na Irlanda, com toda certeza eu diria: - você tá louco, cheirou meia suja ???
Pois é, hoje dia 23 de janeiro de 2020, estou aqui na cidade de Athlone -Irlanda. Ahhh foi tão rápido que nem eu acredito como passou. Tínhamos a certeza que sairíamos do nosso apartamento na vila olímpia por uma série de fatores. Em junho começamos a desenhar a nossa saída, estudar possibilidades. Joel estava de saco cheio do trabalho, eu estava cansada da rotina insana de terapias de Pedro, era o meu trabalho. Eu gostava muito de morar naquela região, mas ao mesmo tempo queria “ me livrar” de alguns sentimentos que eram mais latentes por mora naquela casa. Lá eu descobri que estava grávida do meu pequeno grande amor, Pedro. Viajamos bastante para Salvador, também fomos para Buenos Aires, recebemos muitos amigos e nossa família. Mas igualmente vivi dias nebulosos no meu pós parto e a depressão em decorrência de tudo que aconteceu. O que importa que passou e todas experiencias me fizeram de mim uma outra pessoa que me orgulho muito de ser, fortaleci meus laços com Joel e Pedro. Tudo isso só me mostrou que tudo é possível na vida. Basta querer!
Eu descobri o quanto gosto de escrever e hoje depois de muito tempo cá estou, esse texto vai ser publicado, não sei. Depois desse salto em seis meses da vida, não tenho certeza de nada. Eu sei que estou muito feliz. Chegamos numa cidade de vinte cinco mil habitantes no meio da ilha chamada Irlanda. Athlone é uma cidade fria no seu dia a dia, mas há um aconchego humano fora de série. No segundo dia andando pela cidade conheci a Naíla através de um amigo e ela rapidamente ofereceu de entrar num grupo what’s up de brasileiras que vieram na mesma condição que nós e com filhos com idade parecida ou muito próxima da de Peu. Saber que essa rede de apoio existe me faz sentir mais perto de casa, das minhas amigas em São Paulo que a sororidade feminina é igual em qualquer lugar do mundo, dá até um quentinho na alma.
Eu estou muito feliz por chegar aqui por mérito, mérito no sentido que eu cheguei até aqui por esforço mútuo, meu e de Joel. Por Pedro para que possa usufruir muito de tudo que podemos proporcionar a ele. Engraçado, há um ano e meio atrás eu disse para Joel que gostaria Pedro estudasse inglês logo cedo para que fosse um lugar comum e aprender logo cedo uma segunda língua, afinal ela é universal. Aqui estamos e ele tem duas opções aprende ou fica incomunicável com o mundo. HAHAHA!!
Apesar de estar longe do mercado de trabalho desde a gravidez, tentei me manter atualizada no que rola. Muitas coisas mudaram e hoje ainda não sei o que será de mim, as coisas virão no seu devido tempo.
Conselho de amiga, viva intensamente todos os momentos e não se pré-ocupe com quase nada.
Imigrar é sair da sua zona de conforto e propor um reset na máquina da sua vida. Bem desafiador, mas faz um bem danado quando se quer percorrer um longo caminho de auto conhecimento. Volto nessa frase de Caetano Veloso porque ela é uma verdade para mim: “ Cada um sabe a dor e delicia de ser o que é.”
Eu não sei o que o destino me reserva, sigamos.
Aos poucos tentarei voltar para o meu eixo, escrever. Ler e aprender coisas novas é igual respirar para mim, são uma constante. Aliás me orgulho muito de ter chegado aos seguintes números: 104 itens lidos (livros, revistas, hq etc) , 55 filmes inéditos visto, 09 exposições visitadas. Ah é pouco para uns mas para mim significa muito, pois mesmo na loucura do dia a dia eu consegui me priorizar nesses pequenos momentos de prazer.
Meus meninos são a minha prioridade, por eles eu sigo em frente.
Feliz de estar aqui escrevendo, espero voltar amanhã.

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