Ahhh
memórias, como vocês me preenchem e fazem bem. Outro dia publiquei um post
falando do São João. E ai veio também toda a lembrança feliz dos vários São
Joãos que passei em Arembepe e também outros feriados tradicionais como semana
santa, alem das férias escolares. Como eram tão
bons, e o quanto eu fui feliz e sabendo
que era. Arembempe é um distrito de Camaçari na Região Metropolitana de
Salvador, na Bahia.
Nas
noites de São João, os adultos faziam aquela fogueira linda, uma verdadeira
orgia gastronômica com bolos de todos os sabores, muito amendoim cozido, milho
assado na fogueira e outras coisinhas gostosas. E assim íamos até tarde da
noite soltando fogos de artifícios, conversando e comendo muito. E como é uma
região de praia, acordávamos cedo e partimos para praia e voltávamos na hora do
almoço. Era no mínimo 5 crianças, então tínhamos muitos assuntos e
brincadeiras, ou simplesmente nos jogávamos na rede e ficávamos de boresta (relaxando). O São João era assim.
E no
feriado de semana santa, também era imperdível. Ao contrario aqui do sudeste, o
dia mais esperado é sexta feira santa, e neste dia era servido àquela comida
baiana (vatapá, caruru, xinxim de frango, banana da terra frita, farofa de
dendê etc.), era uma fartura de tudo. No sábado de aleluia, fazíamos a queima
do Judas, então a aventura do dia era catar entre os amigos, roupa e sapato e
outros materiais para montá-lo. E no fim do dia ele era queimado. Ahh tinha o
testamento dele que também fazia parte da aventura do dia, juntar as
quinquilharias da brincadeira. Sendo assim, antes da queima, alguém lia o
testamento e era engraçadíssimo (elaborado em segredo por alguém).
Era
assim:
-
Judas não tinha o que deixar para Mani, então deixou apenas uma meia do par
usada.
-
Judas não tinha o que deixar para Taili,
então deixou seu penico furado.
Como
era divertido.
No
domingo, brincávamos de caça aos ovos de páscoa, minha mãe era mestra em criar
pistas. Eram inteligentes e bem desafiadoras. E o melhor da brincadeira ajudar os outros a
procurar o seu ovo depois de encontrar o meu.
Lembro
que num verão, íamos ficar o mês inteiro de janeiro lá em Arembepe. No começo,
fiquei meio entediada só de pensar em passar o mês inteiro lá. E como nosso
nome era brincadeira, resolvemos ensaiar a peça do “Saltimbancos” adaptado por Chico Buarque. No cd tinha todas
falas e musicas. Eu, minhas irmãs
ficamos horas discutindo quem
faria qual papel, no final ficou decido assim: Maní a galinha, Taili o jumento,
Naia a gata, Nara o cachorro. Brincávamos de ensaiar e também brigávamos
saudavelmente toda fez que uma errava. E entre uma ida na praia ou no rio
passávamos horas e horas ensaiando, alem dos amigos que vinham aos fins de
semana, aprendemos tanto, nós curtíamos ficar no café da manhã falando
abobrinhas, nem lembro se realmente apresentamos de fato a peça. Mas construir
toda a brincadeira valeu muito. Hoje quando escuto alguma música ou qualquer
coisa que remeta aos saltimbancos, o meu coração enche-se de alegria e gratidão por
aquele verão que parecia ser entediante e foi se não o melhor, não houve algo
que superou qualquer festa ou passeio. Ate comentei com minha terapeuta sobre
essas aventuras e uma das coisas que ela pontuou o quanto foi rico em todos os
sentidos viver e eu sei que foi. Espero que nas férias de dezembro eu consiga
ir para Arembepe, pois faz anos que não vou lá. E proporcionar para Pedro um
pouco do que eu vivi.
Memórias
é uma maravilha que a vida nos proporciona e rico de quem consegue tê-la.

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