terça-feira, 1 de agosto de 2017

Memórias, de um tempo que não volta mais...




Ahhh memórias, como vocês me preenchem e fazem bem. Outro dia publiquei um post falando do São João. E ai veio também toda a lembrança feliz dos vários São Joãos que passei em Arembepe e também outros feriados tradicionais como semana santa, alem das férias escolares. Como eram tão  bons, e o quanto eu fui feliz e sabendo  que era. Arembempe é um distrito de Camaçari na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia.

Nas noites de São João, os adultos faziam aquela fogueira linda, uma verdadeira orgia gastronômica com bolos de todos os sabores, muito amendoim cozido, milho assado na fogueira e outras coisinhas gostosas. E assim íamos até tarde da noite soltando fogos de artifícios, conversando e comendo muito. E como é uma região de praia, acordávamos cedo e partimos para praia e voltávamos na hora do almoço. Era no mínimo 5 crianças, então tínhamos muitos assuntos e brincadeiras, ou simplesmente nos jogávamos na rede e ficávamos de boresta  (relaxando). O São João era assim.

E no feriado de semana santa, também era imperdível. Ao contrario aqui do sudeste, o dia mais esperado é sexta feira santa, e neste dia era servido àquela comida baiana (vatapá, caruru, xinxim de frango, banana da terra frita, farofa de dendê etc.), era uma fartura de tudo. No sábado de aleluia, fazíamos a queima do Judas, então a aventura do dia era catar entre os amigos, roupa e sapato e outros materiais para montá-lo. E no fim do dia ele era queimado. Ahh tinha o testamento dele que também fazia parte da aventura do dia, juntar as quinquilharias da brincadeira. Sendo assim, antes da queima, alguém lia o testamento e era engraçadíssimo (elaborado em segredo por alguém).
Era assim:
- Judas não tinha o que deixar para Mani, então deixou apenas uma meia do par usada.
- Judas não tinha o que deixar para  Taili, então deixou seu penico furado.

Como era divertido.

No domingo, brincávamos de caça aos ovos de páscoa, minha mãe era mestra em criar pistas. Eram inteligentes e bem desafiadoras.  E o melhor da brincadeira ajudar os outros a procurar o seu ovo depois de encontrar o meu.

Lembro que num verão, íamos ficar o mês inteiro de janeiro lá em Arembepe. No começo, fiquei meio entediada só de pensar em passar o mês inteiro lá. E como nosso nome era brincadeira, resolvemos ensaiar a peça do “Saltimbancos”  adaptado por Chico Buarque. No cd tinha todas falas e musicas. Eu, minhas irmãs  ficamos horas discutindo  quem faria qual papel, no final ficou decido assim: Maní a galinha, Taili o jumento, Naia a gata, Nara o cachorro. Brincávamos de ensaiar e também brigávamos saudavelmente toda fez que uma errava. E entre uma ida na praia ou no rio passávamos horas e horas ensaiando, alem dos amigos que vinham aos fins de semana, aprendemos tanto, nós curtíamos ficar no café da manhã falando abobrinhas, nem lembro se realmente apresentamos de fato a peça. Mas construir toda a brincadeira valeu muito. Hoje quando escuto alguma música ou qualquer coisa que remeta aos saltimbancos, o meu coração enche-se de alegria e gratidão por aquele verão que parecia ser entediante e foi se não o melhor, não houve algo que superou qualquer festa ou passeio. Ate comentei com minha terapeuta sobre essas aventuras e uma das coisas que ela pontuou o quanto foi rico em todos os sentidos viver e eu sei que foi. Espero que nas férias de dezembro eu consiga ir para Arembepe, pois faz anos que não vou lá. E proporcionar para Pedro um pouco do que eu vivi.  

Memórias é uma maravilha que a vida nos proporciona e rico de quem consegue tê-la.

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